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Laboratório de Inovação como ferramenta transformadora do setor público

Redação Radar IBEGESP Administração Pública e Direito Administrativo Matérias Todas 20/07/2021

Aperfeiçoamentos proporcionam serviços mais ágeis e eficientes à sociedade

Reforma Administrativa e inovação são pautas que estão em alta na administração pública. Algumas propostas já apresentadas até soam virtuosas; outras, por sua vez, margeiam retrocessos. Frequentemente, estas propostas têm como alvo o servidor público, negligenciando, em grande medida, as necessidades de transformação das instituições, em suas estruturas administrativas ou em suas culturas organizacionais.  Ao invés de alvo, estes deveriam ser vistos como a solução, pois neles se encontram o capital intelectual e a experiência prática para pensar soluções que contemplem Estados e Governos.

Não somos apenas nós a pensar assim. Uma legião de intelectuais e organizações nacionais e internacionais, entre elas a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), pensam da mesma maneira. No documento Innovating the Public Sector: from Ideas to Impact, de 2014, a OCDE prevê que os governos devem investir em meios para os servidores atuarem como catalizadores da inovação, envolvendo fundamentalmente:         

  • a difusão de uma cultura de inovação e a criação de espaços que a viabilize;
  • o fomento a organizações e ao estabelecimento de parcerias com vistas à resolução de problemas públicos e;
  • a garantia de que o arcabouço legal não seja um entrave à inovação.

Os cidadãos têm a justa expectativa de ver os governos oferecendo serviços ágeis e eficientes a proporcionar o seu bem-estar sem, no entanto, estarem atrelados a custos crescentes. Há grandes exemplos de servidores, concursados ou não, que se dedicam em promover ajustes e melhorias nas políticas públicas no campo da saúde, educação, segurança, transportes, trabalho e emprego

Nos termos da Lei Federal n. 13.243/2016, a inovação pode ser sintetizada como:

[...] introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo e social que resulte em novos produtos, serviços ou processos ou que compreenda a agregação de novas funcionalidades ou características a produto, serviço ou processo já existente que possa resultar em melhorias e em efetivo ganho de qualidade ou desempenho.

No setor público as novas tecnologias proporcionaram um grande acesso a conhecimentos e informações. Estas se tornam cada vez mais essenciais para o bom diagnóstico de problemas e busca de soluções, melhor atendimento ao cidadão e oferta de serviços com rapidez e qualidade. No entanto, mais importante que adotar melhores tecnologias, é essencial aperfeiçoar a governança da inovação, pois, por meio dela, tornam-se eficientes os processos e métodos de trabalho, práticas profissionais e atitudes presentes nos servidores, independente do cargo ocupado. No curto e médio prazo, isso não se atinge apenas com reformas estruturais, mas com o investimento em treinamento, desenvolvimento e capacitação para a inovação. Neste caso, um espaço ideal de aprendizagem é a ideia dos “Laboratórios de Inovação”.

É fácil imaginar um laboratório como esse. Normalmente é um espaço aberto aos servidores e cidadãos, cujo objetivo é desenvolver atividades interdisciplinares centradas nas pessoas, com base em métodos de aprendizagem, experimentação, prototipagem e criação. Com isso, é possível repensar problemas, testar hipóteses e sugerir melhorias em processos, produtos e serviços ofertados.

Dentre as vantagens do laboratório de inovação, destacam-se:

  • Fomentar o raciocínio crítico e colaborativo;
  • Estimular a efetividade das ações e a flexibilidade de ideias;
  • Realizar dinâmicas e oficinas de experimentação e aprendizagem, assessoradas por profissionais que detêm conhecimentos na área de formulação, planejamento, implantação e execução, monitoramento e avaliação de políticas públicas;
  • Desenhar e implementar, em diferentes escalas, soluções para dificuldades existentes, por meio de aprendizagem baseada em problemas e projetos;
  • Formular políticas públicas de maneira estratégica e sistêmica;
  • Criar dinâmicas que fomentem capacidade de liderança, inovação e criatividade em projetos;
  • Catalisar a inovação e a boa governança no setor público na sua esfera de atuação;
  • Operar a criatividade e ir além ao experimento e aprofundamento do desenvolvimento de ideias voltadas para ganhos de produtividade;
  • Desenvolver técnicas de governança em gestão pública que sejam ágeis e disruptivas.

Se você é gestor em governos ou líder de equipe, sugerimos dois tipos de ações típicas de um laboratório de inovação:


Inovar na administração pública é buscar meios criativos transformadores de ideias em soluções, conhecimentos e informações em instrumentos úteis à sociedade. Inovar é um meio do governo se desenvolver para melhor servir. É saber utilizar bem as tecnologias, desenvolver bens, serviços e pessoas

Uma gestão pública eficiente atende aos anseios e necessidades dos cidadãos com velocidade e processos ágeis, os quais, constantemente, levam à redução da operação e maior entrega. A administração pública não segue a lógica do lucro. Segue outra, muito mais virtuosa, a da geração de Valor Público.  Manter sua capacidade de potencializar esse valor é um motivo fundamental para se continuar o processo de desenvolvimento social, com estabilidade e propósito de melhoria constante. Laboratórios de inovação não são, obviamente, o único meio de realização da inovação do setor público. São, no entanto, uma importante estratégia para alcançar esse objetivo.

Os limites desse espaço impedem uma explanação mais aprofundada sobre os laboratórios de inovação. Porém, o fundamental é ter em mente o seguinte: inovar é importante!
 

Autoria:
Daniel Laporta - Mestre em Ciência Política (UFSCar) e Assessor Técnico da Secretaria de Projetos, Orçamento e Gestão do Estado de São Paulo

Stanley Plácido - Doutor em História Econômica (USP) e Executivo Público do Arquivo Público do Estado de São Paulo


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