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Como realizar uma boa gestão de faturamento do SUS?

A professora Vivian Hart, que leciona o curso de "Gestão de Faturamento do SUS" no IBEGESP, esclarece pontos importantes sobre o tema.

A Gestão de Faturamento do SUS deve ser pautada por princípios importantes, como transparência e eficiência, além de um bom planejamento estratégico. Tudo isso impacta diretamente na oferta dos serviços de saúde à população.

Dentre os setores envolvidos na gestão de faturamento, estão todos os assistenciais, suprimentos, recepção e secretaria das unidades, serviços diagnósticos, recursos humanos, comissões (padronização, revisão de prontuários, definição de protocolos assistenciais), dentre outros.

A interação e comunicação entre os diversos setores é de suma importância para uma boa gestão de faturamento. Os servidores e gestores precisam se atentar aos macroprocessos para evitar prejuízos e conflitos para a Administração Pública.

O que envolve o macroprocesso de Gestão do Faturamento

Processo de informação de suprimentos - Materiais e medicamentos especiais devem ser informados na fatura, pois alguns são dignos de recursos financeiros, pois futuramente poderão ser remunerados.

  • Processo assistencial - O prontuário deverá estar completo, legível e identificado, para que nenhuma informação seja perdida.
  • Processo administrativo - Organização e correção das informações, presteza e pontu-alidade na entrega dos prontuários ao faturamento.
  • Processo de faturamento - Leitura do prontuário, realização do faturamento, digitaçãoou exportação da fatura. Além de gerar rela-tórios, realizar uma análise crítica e encami-nhar tudo para a alta administração.

Em resumo, todas as páginas do prontuário de-
vem conter identificação do paciente e devem mencionar data, horário e identificação de quem prestou o atendimento.

"Um ponto muito importante na gestão de faturamento no sistema único de saúde é a reunião centralizada de todos os documentos necessários para transmitir fiel e cronologicamente todas as informações referentes aos cuidados prestados ao paciente (tudode forma legível e objetiva).”

Por que é tão importante fazer a gestão adequada dofaturamento?


É muito importante que os gestores façam análise crítica de sua produção, quantitativa e qualitativa, para que se possa realizar planejamento estratégico, planos de ação e correções no desenho de processos.

Qual a importância dos cadastros do estabelecimento junto aos órgãos públicos?

Além da regularidade com as obrigações, só é possível faturar o que está cadastrado. Assim, o hospital só pode faturar um prontuário cirúrgico se tiver leitos cirúrgicos cadastrados, só pode faturar diárias de UTI se tiver UTI cadastrada.

Quais os impactos para o hospital em caso de faturamento inadequado?

  • Perda de recursos e prejuízos para o erário por falta de informações, atraso na entrega da fatura, erros ou inconsistências na fatura, nos casos em que a AIH é rejeitada.
  • Perda da fidedignidade das análises críticas devido a informações incorretas.
  • Perda da confiabilidade, ao justificar a solicitação de um acréscimo orçamentário, por exemplo: um hospital solicita aumento do número de leitos cirúrgicos, mas não tem série histórica, porque o faturamento não faturou todos os casos cirúrgicos. Com certeza o pleito não será atendido.

 

 

Pontos de atenção na integração do faturamento com as demais unidades hospitalares

Segundo a professora Vivian, um ponto muito importante e pouco observado é a padronização de protocolos clínicos. Frequentemente são incluídos exames não cadastrados pelo hospital, tais como:

  • Setor de RECURSOS HUMANOS para que haja quantidade de profissionais cadastrados suficientes para cobrir toda a produção faturada.
  • SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICO, pois é frequente não haver laudo, ou resultados de exames realizados, o que impede seu faturamento.
  • COMISSÕES DE REVISÃO DE PRONTUÁRIOS E DE ANÁLISE DE ÓBITOS, que por vezes retiram algum prontuário do setor antes de ser faturado, demoram a retorná-lo ou retornam em desordem.
  • ROTINA ADMINISTRATIVA DE FECHAMENTO DOS PRONTUÁRIOS EM ORDEM e encaminhados ao faturamento em curto espaço de tempo, pois se houver demora, também haverá demora para faturar, e é possível que se perca a competência da entrega da fatura.

Uma boa gestão do faturamento hospitalar é da maior importância para a alta administração de um hospital. Há dois grandes “produtos” gerados no faturamento: primeiramente, a tradução em recursos financeiros, de toda a produção realizada pelo hospital no período. Esta tem importância indiscutível, pois garante ou não a subsistência da unidade hospitalar.

E, ainda, a enorme massa de informações reunidas no faturamento que, sem dúvida, é extremamente útil para o conhecimento da própria instituição e de seus pacientes. É possível, por exemplo, efetuar pesquisas nosológicas da origem e faixa etária dos pacientes, bem como encaminhá-los, verificar patologias de maior prevalência, com vistas a identificar possíveis falhas na prevenção de doenças, diagnósticos secundários, etc.

Com tais informações, é possível um melhor planejamento, definir protocolos clínicos, demonstrar a relação custo x benefício de cada atividade, justificando possíveis variações orçamentárias.

"Vivian Hart Ferreira é administradora hospitalar com vasta experiência na alta administração e na rotina hospitalar, gestão dos processos e capacitação em auditoria de qualidade – ONA. Graduada em Administração Hospitalar pelo Instituto de Pesquisas Hospitalares – IPH. Tem 23 anos de experiência na Administração Hospitalar em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, sendo 14 anos à frente de hospitais estaduais. Multiplicadora e Auditora do Sistema de Gestão da Qualidade para Acreditação de Instituições de Saúde por duas acreditadoras ONA. Participou ativamente na implantação de dois novos hospitais estaduais entregues à administração do Terceiro Setor."