Compliance como estratégia de prevenção fortalece o controle interno, reduz riscos e impulsiona a cultura de integridade na administração pública brasileira
Este conteúdo faz parte do centro de estudos de Administração Pública do IBÊ
A gestão pública contemporânea está inserida em um contexto complexo, marcado por riscos que emergem das relações sociais, econômicas, políticas e culturais. Políticas públicas são constantemente formuladas para atender a demandas diversas, enquanto mecanismos de controle, transparência e prestação de contas se tornam essenciais para prevenir abusos de poder, desvios de finalidade e corrupção – desafios presentes em diversas administrações ao redor do mundo.
Neste cenário, não basta apenas criar normas. É necessário promover uma cultura de integridade, que combine processos, valores e práticas éticas. O compliance surge como uma ferramenta estratégica para tornar o controle interno mais efetivo, fortalecendo a atuação administrativa de forma ética, segura e transparente.
Integridade não se limita ao cumprimento formal das regras. Trata-se de incorporar valores éticos na rotina administrativa, promovendo confiança social e legitimidade institucional.
Um elemento central desse processo é o mapeamento de riscos. Ele serve para:
- Identificar situações de vulnerabilidade;
- Antecipar problemas recorrentes;
- Apoiar decisões administrativas fundamentadas;
- Criar mecanismos preventivos e corretivos.
Essas ações tornam possível estruturar programas de compliance que fortalecem o controle interno e melhoram a qualidade das políticas públicas.
Embora tradicionalmente associado ao setor privado, o compliance tem ganhado espaço na gestão pública como instrumento de controle preventivo e estratégico. Seu objetivo vai além de sancionar irregularidades: busca criar um ambiente seguro e confiável, em que processos, políticas e pessoas atuem de maneira integrada.
Entre os benefícios do compliance na administração pública, destacam-se:
- Sistematização da identificação e gestão de riscos;
- Redução de vulnerabilidades a desvios e fraudes;
- Promoção da cultura de integridade entre servidores e gestores;
- Maior transparência e confiabilidade na prestação de contas à sociedade
Dessa forma, compliance se torna uma ferramenta de qualificação administrativa, capaz de aprimorar tanto o controle interno quanto a ação governamental.
Programas de integridade não funcionam apenas com regras e normas. A eficácia depende da mudança cultural e da adoção de valores éticos consistentes. Isso significa:
- Engajar servidores e gestores em práticas éticas;
- Estimular conscientização sobre responsabilidades e riscos;
- Integrar mecanismos de controle com a rotina administrativa;
- Consolidar confiança e legitimidade perante a sociedade.
No Brasil, a implementação estratégica do compliance representa um avanço significativo para a eficiência, transparência e ética na gestão pública. Mais do que uma obrigação legal, é um compromisso com a melhoria contínua, prevenção de irregularidades e fortalecimento da confiança pública.
O futuro da administração pública depende da capacidade de integrar normas, cultura e valores, criando ambientes íntegros e responsáveis, capazes de responder aos desafios de um mundo complexo e em constante transformação.
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Autoria: Rita de Cássia Batista Arantes é professora Mestra em Crítica Literária pela PUC-SP, com pesquisa sobre o diálogo entre palavra e imagem em obras de Eva Furnari. Atua como docente na Faculdade de São Bernardo do Campo, professora titular das Etecs e coordenadora de projetos na Controladoria Interna do Centro Paula Souza. É corretora de vestibulares da FATEC e possui graduação em Letras e Pedagogia, além de especialização pela PUC-SP. Tem experiência nas áreas de Literatura, Comunicação e Educação Infantil. É autora de obras nas áreas de Administração e Literatura infantojuvenil.




Autor:
Rita de Cássia ArantesTags:
Administração Pública, Boas Práticas, Compliance, Ética e Integridade, Gestão Pública, Governança Corporativa