O professor que vive o que ensina inspira mais do que livros: como a experiência docente impacta os alunos

19 nov, 2025 ● 4 minutos

A experiência prática do docente pode impactar positivamente seus alunos, juntamente com a teoria

Este conteúdo faz parte do centro de estudos de Educação do IBÊ

No ambiente de ensino e de  pesquisa, é comum que o docente se pergunte: o que realmente desperta nos estudantes a vontade de empreender?

Há alguns anos, é observado um padrão entre os discentes: os alunos se engajam mais, mostram-se mais curiosos e motivados quando têm contato com professores que não apenas conhecem o conteúdo teórico, mas que também viveram, de fato, a experiência do mercado.

Recentemente, foi feito um estudo sobre a influência de docentes com experiência profissional fora da academia. O estudo analisou estudantes brasileiros e mostrou, com base em dados quantitativos, que professores com vivência no mundo dos negócios, os chamados professores “não-acadêmicos”, influenciam positivamente seus alunos a abrirem seus próprios empreendimentos. Essa influência não está associada apenas ao domínio de conceitos ou à didática, mas à capacidade de mostrar, com exemplos reais, os desafios e as oportunidades do mercado.

Sempre que se compartilha com os alunos histórias reais, seja de sucessos ou de fracassos, há um vislumbre de esperança nos olhos deles. Quando se apresenta uma negociação difícil de um projeto que não deu certo, mas que serviu de ensinamento, a atenção deles se transforma. O conteúdo deixa de ser abstrato, torna-se vivo. E é nesse momento que o ensino ganha potência.

Por outro lado, quando o docente se prende somente à teoria, por mais que os conceitos sejam importantes, a conexão com os alunos costuma ser mais frágil. Eles percebem quando está se falando de algo que só se conhece dos livros. E isso, infelizmente, limita a capacidade do ensino de provocar mudanças reais. A vivência prática é, portanto, um elemento fundamental para inspirar e motivar aqueles que desejam empreender.

Algo de atenção no estudo foi a ausência de diferenças significativas entre os gêneros. Homens e mulheres são igualmente impactados pela atuação de professores com experiência no mercado. Isso demonstra que o exemplo concreto é uma linguagem universal. Independentemente de quem escuta, uma história real tem o poder de mobilizar.

As instituições de ensino, sobretudo as de nível superior, devem valorizar ainda mais a presença de professores com trajetória fora da universidade. A produção científica não deve ser deixada de lado, longe disso, mas deve existir nas práticas cotidianas de um professor um equilíbrio entre teoria e prática.

Universidades, institutos e faculdades deveriam adotar políticas mais claras para integrar ao corpo docente profissionais com experiências relevantes no setor produtivo. Isso não apenas diversifica o perfil dos professores, como também contribui para a formação de estudantes mais preparados, mais conectados com os desafios reais e mais confiantes em sua capacidade de empreender.

Também não se pode restringir essa discussão ao campo da Administração. O empreendedorismo é uma atitude, uma forma de olhar o mundo e de agir nele. Pode estar presente nas engenharias, nas artes, na saúde, na educação, na tecnologia. Em qualquer área do conhecimento, o estímulo à autonomia, à criatividade e à iniciativa é essencial. E, em todas elas, a presença de professores que viveram o mercado pode fazer a diferença.

Isto vem de um lugar que acredita profundamente na educação como força de transformação. O empreendedorismo pode ser visto como uma das ferramentas mais potentes para mudar realidades, gerar renda, criar soluções e fortalecer a cidadania. Uma educação que leva isso a sério deve incluir, entre seus pilares, o valor da experiência prática.

Ao ensinar com base na vivência, o professor não apenas informa, ele transforma através do seu próprio exemplo. Ele mostra caminhos, assinala obstáculos e dá coragem. E, nesse processo, planta em seus alunos a semente do possível. Do “eu também posso”.


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Autoria: Luiz Stephany Filho é Doutor em Administração pela Universidade Estadual do Ceará-UECE (2022), com participação no programa de doutoramento sanduíche na AUT-Auckland University of Technology (Nova Zelândia). É Mestre em Administração pela Universidade Estadual do Ceará-UECE (2016) e graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Faculdade Integrada do Ceará (2008). Atualmente, é professor da UFPI - Universidade Federal do Piauí no curso de Administração do campus de Floriano. Foi durante 3 anos coordenador do parque tecnológico da Universidade de Fortaleza - Unifor. Tem mais de 25 anos de experiência no planejamento, execução e monitoramento de projetos de transformação digital.